Um estudo conduzido por pesquisadores da UFES está analisando áreas com potencial de queda de blocos rochosos no Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça, em Alegre, no sul do Espírito Santo. A iniciativa ocorre cerca de um ano após um deslizamento atingir a região de banho do local.
A pesquisa é coordenada pela professora Jenesca Florêncio, do Departamento de Geologia do CCENS, e conta com a colaboração do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), da Defesa Civil de Alegre e da administração do parque. O objetivo é identificar pontos de risco e subsidiar um sistema de monitoramento contínuo, contribuindo para a segurança dos visitantes.
Os trabalhos de campo começaram em fevereiro, com o uso de drones equipados com tecnologia avançada para captação de imagens, vídeos e dados térmicos das formações rochosas. A análise inicial já apontou a presença de fraturas, grandes espaçamentos entre blocos e estruturas com possibilidade de desprendimento.
Segundo a coordenação do estudo, as rochas da região são, em sua maioria, metamórficas e apresentam deformações associadas a eventos tectônicos antigos e recentes. Esses fatores, somados a processos naturais de desgaste físico e químico, favorecem a fragmentação do maciço rochoso e aumentam o risco de instabilidade.
Atualmente, a equipe está na etapa de processamento dos dados coletados. As próximas fases incluem a definição das áreas mais críticas, a análise das possíveis direções de queda dos blocos e o acompanhamento de movimentações nas rochas. A expectativa é que os resultados auxiliem na prevenção de acidentes e na definição de áreas seguras para visitação. Novas idas a campo estão previstas para o período seco, entre junho e julho.
A pesquisa teve origem em um projeto de extensão voltado à prevenção de riscos naturais em Alegre, que já apoiava a Defesa Civil em ações relacionadas a encostas, enchentes e remoção de moradores em áreas vulneráveis. Após o episódio registrado em abril de 2025, foi solicitada autorização para ampliar os estudos dentro do parque, que é uma unidade de conservação ambiental.
O local já registra ao menos dois episódios de queda de blocos: um em 2007, que atingiu o estacionamento, e outro em 2025, próximo à principal queda d’água. Apesar do susto, não houve feridos, pois não havia visitantes no momento. Desde então, a área permanece interditada.


